Sergio's Printed Words

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Archive for abril 2010

Poema em Linha Reta

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(de Álvaro Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, 
Indesculpavelmente sujo. 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, 
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, 
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, 
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, 
Que tenho sofrido enxovalhos e calado, 
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; 
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, 
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, 
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, 
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado 
Para fora da possibilidade do soco; 
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, 
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, 
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana 
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; 
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! 
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? 
Ó principes, meus irmãos, 
Arre, estou farto de semideuses! 
Onde é que há gente no mundo? 
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 
Poderão as mulheres não os terem amado, 
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca! 
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, 
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? 
Eu, que venho sido vil, literalmente vil, 
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro Campos é um dos heterônimos de poeta e escritor português Fernando Pessoa.

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Written by sergiovds

abril 20, 2010 at 16:19

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Brazilienses democraticus

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De que adianta mais de um milhão de cidadãos politicamente engajados assinarem e submeterem uma ação popular no Congresso para uma emenda legal como, por exemplo, o caso "Ficha Limpa", o qual, para quem ainda não sabe foi devidamente engavetado pelo nossos "representantes" e destinado às calendas?! 

Se nosso modelo mambembe de democracia representativa prevê apenas eleições proporcionais (e pior, no caso da federação, um peso para cada unidade), desculpe, mas nossos queridos deputados não vão mover uma palha em direção de uma legislação que os monitore e exija ilibada vida civil.
É um caso de lógica e sacanagem, pura e simples, respectiivamente: se o votante não possui vínculo algum com "seu representante" após o ato de votar (a não ser o "Jus Esperniandi"), o eleito "se lixa" para o coitado que, certo da probidade política do Exmo. Sr. Deputado, aguarda a retidão legislativa, a honestidade com os dinheiros públicos e a execução da vontade popular durante o exercício do mandato.
A regra básica e amplamente utilizada pelos legisladores é: eleja-se e durante o seu mandato faça apenas –  às pessoas de seu bairro, cidade, ou estado.- uma ação popularesca e/ou financeira amável e rebuscada burocraticamente, mas que possua impacto publicitário demonstrando o seu empenho na solução (no primeiro caso) e altamente rentável – e vinculado à uma polpuda contrapartida nas próximas eleições (no segundo caso), afinal a roda não pode parar, não é mesmo?
No resto do tempo locuplete a si mesmo ou os apaniguados estruturantes, também conhecido como companheiros de partido ou de cama e mesa. O resto? São apenas eleitores… massa de manobra, zé povinho mesmo.

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Written by sergiovds

abril 13, 2010 at 14:55

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Sou desatento mesmo…

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Olha só o que descobri olhando o iTunes com visualização em Grid…
Este número abrange os podcasts que publiquei no feed do Impressões Digitais, e não contabiliza as participações em outros podcasts nem os produzidos para a série Tomate Cru do Podcast Rádio Rossopomodoro

Considerando que produzo podcasts desde dez 2005 esta marca é bastante tímida. Mas, para quem gosta de números, 'taí. 

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Written by sergiovds

abril 1, 2010 at 14:00

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