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Jean e eu.

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jean e eu

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Há pessoas no mundo que, assim como eu, simplesmente não conseguem ser parte do mainstream. Por que? Elementar, meu caro leitor… se todos seguem o ritmo de um tambor, Thoreau há muito nos ensinou, que pode haver alguém marchando ao ritmo de outro, ou lançando mão, como exemplo, do batido jargão rodriguiano: desconfie sempre, pois toda unanimidade é burra.
Sempre me causa espécie se todos concordam ou participam da famosa “geléia geral”, onde tudo está embolado e misturado pegajosamente. Basta me deparar com algo assim, e pronto! Para mim é motivo para dizer:

“´PERAÍ! Vamos pensar, pessoal?!”.

Nem sempre sou compreendido e/ou bem sucedido em meus alertas. Sinto, em meu âmago, nitidamente que há algo de podre no Reino da Dinamarca. E quase sempre a certeza de minha intuição sobrepõe-se à dúvida rígida da lógica.

Infelizmente percebo, há tempos, que essa “podridão” está intimamente ligada ao mercantilismo sócio-cultural, ou melhor, ela decorre diretamente da cultura hedonista e de consumo massivo que pautou os anos 80/90, e que desaguou na atual década – p´rá lá de decadente, só para ficar nos aspectos cultural e criativo – onde padrões medíocres (super-valorizados e hiper-difundidos), atingem níveis de saturação e deformação de posturas de convivência humana muito além do estapafúrdio.

Convivemos alegremente com distorções formais – quanto ao aspecto econômico e por tabela social e cultural – da relação “usufruto x valor agregado”, distorções as quais beiram as raias do infantilismo intelectual (para não dizer idiotice galopante).

Um exemplo típico: o que você acha de um office-boy de 20 anos (exemplo de indivíduo em estágio inicial de imersão na sociedade moderna, com o nível social e salarial imputado pela sub-estrutura estatal, familiar e educacional de nossa tupiniquim nação) usando um modelito nike (fake, of course) nos pés, calçado que deveria custar o absurdo ostensivo-glamuroso de 600 reais no comércio licenciado e formal, mas que saiu por “apenas” 120 paus em três vezes no cartão?

Para mim é o perfeito exemplo desta distorção! Um vívido exemplar do ser ávido pelo “consumo ícônico”. Onde o símbolo sócio-cultural consumido é mais importante que a necessidade humana do produto em si.

Nosso jovem estafeta é, no caso, um engajado partícipe do fomento a uma sub-classe empresarial, colaboradora da dicotomia da estrutura social em emprego formal e informal, em mercado legal e “paralelo”, enfim, em grupos que consomem a qualquer preço os originais e aqueles que, para suprir a postura de consumo incônico se estapeiam para adquirir, do jeito que der, as cópias de baixa categoria.

Alguns dizem que isto garante o mercado, mas ´peraí! Ao custo da imbecialização coletiva? Onde as duas pontas do “consumidor” representam a mesma distorção, as faces da mesma moeda?
Não sei não, sinto que algo aí não se encaixa naquilo que reconheço como desenvolvimento social. Ao contrário.

O que mais me deixa “cabrero” nisso tudo, é que atualmente, toda a estrutura profissional de propaganda e marketing (passando pela nova estrutura internética, considerada por alguns como amadora, para desespero dos bloggers) encontra-se plenamente comprometida com este “formalismo” mercantil, aos preceitos do “consumo icônico”. O que no meu ponto de vista demonstra a marcha célere e retro-alimentada rumo a decadência e a decrepitude da civilização humana.

 

Nota: Para aprofundar mais nesses conceitos sugiro a leitura de alguns textos de Jean Baudrillard (ahnn… usa o google para localizar informações sobre esse meu herói).

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Written by sergiovds

janeiro 11, 2009 às 05:12

Publicado em comportamento

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Uma resposta

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  1. Sim, “A transparência do Mal” faz bem também. E outra, meu caro, o mercado de luxo sofreu uma descaracterização — apesar de achar a aristocracia de um mau gosto tremendo — pela massificação do consumo. Antes (pega na linha do tempo) tinhamos os produtos exclusivos que geravam “castas” e não desejo. Na mão de investidores — olha o vilão, se não é o mercado virtual —, a coisa tinha que girar, a economia tinha que abarcar todo mundo. O Nike-fake é produzido na esquina da fábrica do original. Se pá o custo é o mesmo (pensando em força de trabalho explorada). O que o office-boy não percebeu é que aos vinte anos ele poderia já ter notado que é furada essa modinha.

    danilo

    fevereiro 10, 2009 at 17:19


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