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Porque me ufano de meu país…

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spw_013O Joildo me convidou para comentar, ou melhor, apresentar, em seu podcast, o meu ponto de vista sobre a nova proposta do Senador Azeredo do PSDB-MG que restringe a meia-entrada para estudantes. Gravei alguns minutos, editei, tirei as respirações excessivas, um engasgo aqui outro acolá e enviei.

Ouvindo o mp3 achei meu comentário até que razoável, e como sou a favor da recilcagem de material descartável decidi transcrevê-lo e publicá-lo neste espaçozinho pretensioso:

Sei que não vou agradar a muitos, eu na realidade nem vou falar do Senador mineiro, mas espero ser claro o suficiente nesta rápida explanação.

Toda vez que alguém toca no assunto meia-entrada para estudantes em teatros, cinemas, museus, mostras, circos, campos de futebol, hipódromos… ou fala em vale-refeição, vale-combustível, vale-lanche, vale-cesta básica, vale-trepada… ou ainda, comentam sobre passe de ônibus, de trens, de metrô, de balsa, de moto… e até em liberação de catraca para maiores de 60 anos e cotas para vagas em institutos de ensino, para bolsas de estudo, em concursos públicos… em restrições e compensações fundiárias para grupos humanos específicos de brasileiros… eu – com perdão da má linguagem – fico PUTO! É verdade, eu fico muito puto da vida!

E por que esta minha indignação? Não tem nada a ver com o coitado que não conseguiu uma posição social mais elevada e vende todo seu vale-qualquer-coisa pro cara da esquina com deságio de 16% pra complementar a parca renda familiar. Parênteses: Não me venham falar em falta de oportunidades – eu sei o que é viver em uma grande família com pouquíssimos recursos – lembrando o jargão: quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Não é com os nossos idosos aposentados que precisam se locomover em latas motorizadas lotadas, para serem humilhados por horas em filas de INSSs ou Postos de Saude imundos que eu fico indignado.

Não é com os jovens que se enfadam em escolas de paredes mofadas e sem o mínimo aparelhamento humano e pedagógico, com estrutura famíliar pra lá de alquebrada e por isso, preferem o aprendizado do sonho, a almejar a fama, ou o enriquecimento rápido, saindo no meio do curso sem saber nada de nada, empurrados para um sub-mercado de sub-trabalho sem futuro. Não! Não é com eles que eu fico indignado.

Também não é com os professores, com suas duplas, triplas jornadas – na maioria das vezes com uma formação bem aquém do desejado – e totalmente dependentes de miseráveis vencimentos públicos que me emputeço.

Não, não é com nada disso.

É neste monstro disforme chamado CULTURA BRASILEIRA, neste vírus sócio-político que sobrevive se alimentando de benesses e excretando paternalismos em qualquer ação de poder, que reside a minha angústia, onde recai toda minha frustação e onde deposito minha total e profunda indignação. Isso me dá vergonha de ser um humano.

Em uma ponta o povo – seja ele de baixa, média ou alta renda – exige, qualquer que seja o governo, que este resolva seus problemas e recebe de braços abertos – e de bico fechado – esta excrescência subsidiária, em forma de vales ou cotas, preferências ou lincenciosidades, a qual na realidade apenas inflaciona o preço final e multiplica geometricamente o custo social em toda a cadeia, seja a produtiva ou a das relações humanas. Criando ao longo do caminho conchavos expúrios, mercados paralelos, desvios de funções e destinações corruptas.

Na outra ponta temos o demagogo cônscio de seu papel de fomentador do beneplácito, que julga ser de suma importância política e social a distribuição de subsídios à guisa de “estar distribuindo renda” ou de “justificar uma reparação histórica”…

Ora faça-me o favor!

Enquanto se aceitar a política da esmola em ambas as pontas do enlace poder-povo essa vaca não sai do brejo. A política básica necessária – de inclusão social – não passa pelo nike nosso em cada dia, ou pelo nokia todo-poderoso.

Já perdeu-se muito tempo em discussões sobre o tamanho da esmola e a que raio de grupo humano a esmola deve ir. Isso é uma insensatez. É de uma boçalidade inconcebível!

Não deve – jamais! – haver, em uma sociedade minimamente organizada, espaço para esmolas públicas ou privadas, sejam elas de matiz pecuniário, moral ou social.

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Written by sergiovds

novembro 25, 2008 às 20:41

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