Battisti (ou, faço minhas as palavras da Dora Kramer)
“O Supremo decidiu, está decidido. Mas, desta vez, equívocos em série podem levar o Brasil ao Tribunal Internacional de Haia por alegação do governo italiano de descumprimento do tratado de extradição entre os dois países, na decisão do então presidente Lula de não mandar Cesare Battisti de volta ao país que o condenou à prisão perpétua por quatro assassinatos.
Equívocos iniciados com a decisão do então ministro da Justiça, Tarso Genro, de contrariar parecer de órgão técnico de sua pasta pela extradição; continuados com a transferência da palavra final a Lula pelo Supremo apesar de sentença favorável à exigência da Itália; culminados com o veredicto presidencial baseado na suposição de que a Itália não seja um Estado de pleno Direito.
Resultado: depois da bizarra mediação de acordo com o Irã, eis o Brasil de novo exposto desnecessariamente ao risco do constrangimento internacional.”
…E agora, José?!
Veja, Folha, Estadão, Carta Capital, O Globo…
Aham, Cláudia senta lá… (*)
Estadão: “Delito de Opinião”?!!
Nota: Nos anos 80 tive o prazer de trabalhar com o lado masculino da família Kehl (Sérgio, Luiz Augusto e José Renato). Infelizmente a Maria Rita conheci apenas “de vista” e em alguns pequenos encontros sociais, nada muito profundo, o que não influiu em nada em minha admiração e respeito pelo seu trabalho.
Mulheres… “APRENDÃO”(*)!
Este videozinho apresenta o que pode-se qualificar como sendo o primor da eficiência e uma pequena aula para as mulheres.
Caminhando, pra dizer que não falei das flores
Não deixa de ser uma recuperação histórica… Muita água passou por baixo da ponte do velho “estado de exceção” desde que a canção Caminhando agitou centenas de milhares de telespectadores e uma imensa multidão no Maracanãzinho em 1968. Ao fim daquele ano, em 13 de dezembro, o regime militar impõe o Ato Institucional nº 5, transformando de vez a vida do brasileiro em um arremedo de campo de concentração continental e transformando 68 em o Ano que Não Terminou. Mas aqui – neste depoimento mais que importante para a compreensão do que foram os anos de chumbo (68-73) e o que eles conseguiram produzir em uma nação despreparada política e culturalmente – temos a clareza de um comprometimento vital e sanguíneo com suas convicções. Após 36 anos Geraldo Vandré (o oautor der Caminhando) fala publicamente sobre seu afastamento da vida artística. Este é um documentário / entrevista de importância fundamental para avaliar o processo de desintegração sócio-político e cultural de um povo.
Águas passadas, desde que digitais, podem mover moinhos…
“CREIO PIAMENTE QUE A OBSERVAÇÃO DA REALIDADE É O RESULTADO DO COLAPSO DA FUNÇÃO DE ONDA DE ERWIN SCHRÖDINGER, OU SEJA, DO COLAPSO QUÂNTICO. O QUE TRADUZIDO PARA TERMOS ATUAIS/JUVENIS, PODE SIGNIFICAR ALGO COMO: IHHHH, ÓIA AÍ Ó… POR CONTA DISSO AOS QUARENTA E TANTOS DECIDI PRODUZIR UM AUDIO PODCAST SOBRE COMPORTAMENTO, ARTES, CULTURA E TECNOLOGIA. QUEM SABE A GAROTADA PÁRA DE FALAR: IHHHH, ÓIA AÍ Ó…”
Insônia
Insônia (25 de março de 1980)
Declaração de Voto
Muitos se estapeiam em épocas de eleições como se tais períodos definissem, por toda a eternidade, a vida de cada um.
Ledo e crasso engano…
Desde minha tenra adolescência em pátios escolares, passando por campiuniversitários, depreendi que a democracia (talvez por viver, à época, em plena ditadura), além de utópica, é carrasca.
Vislumbremos o cenário: dois ou mais grupelhos convencem a maioria circundante (geralmente com grau de estupidez equivalente à avidez em palpitar sobre qualquer coisa, preferencialmente, sobre aquelas que não lhe atinja de forma directa e não cause envolvimento em nada que lhe exija atenção – vide reunião de condomínio) que basta submeter alguns representantes destes grupelhos ao escrutínio das urnas para tudo se revestir de legalidade, de uma pura, transparente eficaz e direta representatividade perfeitamente convalidada e abençoada, amém.
Pronto! Assim define-se o atual paradigma brasileiro do “PUDÊ!”, ou como chamo a Democracia de Minoria. Se os grupelhos forem suficientemente espertos (vejam os estadunidenses e ingleses) montam um joguinho de faz-de-conta e alternância ad eternum… e la nave vá.
Aqui na terra brazilis, talvez pela sua infante democracia e consequente política um tanto quanto rastaquera, as associações pré-poder ainda se maquiam de tintas ideológicas emboloradas ou se encontram devidamente coaptadas pelo canto de sereias braslienses sobre as benesses de um falso centrismo, este mais definido pelo equilíbrio das forças em disputas internas do que pela ideologia. Falta-nos a maturidade da cidadania responsável pela coisa pública. Ainda somos – em nossa maioria - dependentes de ioiô e de iaiá. Porém, aí, nesta seara – para não dizer maranhesca – política, tudo e todos não passam de atores de uma mesma farsa.
…
Mas voltemos ao motivo deste meu desabafo um tanto desesperançoso (mesmo tendo lutado pela democracia e pelo direito a voto a todos) e pelo fato de eu não mais me afligir sobre o ganha-e-perde destas eleições.
Não creio que fulano ou sicrana, ou o grupo X ou a associação Y, irá solucionar ou modificar, num passe de mágica, o status quo sócio-político… Personalização e paternalismo não fazem parte de meu dicionário político. Hoje, só consigo analisar e participar como cidadão da vida da Nação através de ações de macropolítica. Qualquer bandeira “partidária” que eu carregue será falsa e contrária meu conceito de democracia plena.
O poder deve ser alternado entre os grupos interessados, assim como devem ser testados novos compromissos com tal poder… mas sem colocar em risco os equilíbrio alcançados, ou melhor dizendo, o poder deve chegar a determinado grupo no tempo histórico e de compressão social adequados. Ditaduras de esquerda e de direita provaram – na história mais que recente – as suas incompetências em teinosamente esquivar-se desta verdade. Mesmo a toda-poderosa democracia dos EUA, em seu víés neo-liberal, bambeia miseravelmente devido às idiotices de perpetuação republicanas, não é?!
Assim, cheguei a conclusão que o PSDB há 8 anos afastado do poder conseguiu o impossível, ficou no ostracismo e não conseguiu posicionar-se como oposição política nem como alternativa sócio-econômica. Além de outros rincões deste brasil-véio-de-guerra, o mesmo PSDB há 16 anos domina o maior estado e a maior capital do país (ou seja, o 2º e o 3º orçamentos do país – estes só perdem para o orçamento da União) e mesmo assim, não conseguiu viabilizar uma unitária e virtuousa ação política sequer, nem ao menos amealhar um par de aliados ideologicamente afinados a um discurso equilibrado e inovador. Passou em branco e casou como o diabo, desaguando na demonstração atual de total incapacidade de vencer uma eleição de sindicato!
Se tal coleção de próceres políticos não conseguiu o mais elementar do exigido no campo político, como então irá implementar uma administração de poder renovada, dinâmica e criativa? Lamento, mas vou manter o bode na sala para que alguém o tire de lá definitivamente ao invés de esbravejar que fede e há esterco.
Creio que a eleição da Dilma será a pá de cal definitiva no que resta tanto do petismo como do tucanato fisiológicos, ineficientes e incapazes que andam por aí. O país precisa mais do que nunca de opções sérias de Políticas de Nação e não “políticas de governo” (ou seja, “pude”). Não dá mais para ficar nessa falácia de politicalha misturada com empresário amigo e parceiro de subchefe-de-assessor-de-qualquer coisa em gabinetes de apadrinhados e de cotas de acordos partidários. As saídas até agora oferecidas são mais-do-mesmo… e isso não basta para os desafios que se avizinham. Ou surge uma nova forma de cidadão e de administrar o executivo, o legislativo e o judiciário ou estamos fadados a virar uma imensa favela nacional, velha, suja, ilegal, viciada e corrupta.
Precisamos que os jovens (minha geração você pode esquecer, ela está mais interessada em discutir a ética e honestidade do síndico) encarem a árdua tarefa de alterar, difundir e aplicar – urgentemente – os conceitos de res publica e de cidadania. Só assim novos partidos políticos podem surgir e provocar – democraticamente – um realinhamento social e morl suficientemente forte para as reformas de representatividade, idoneidade e gestão política.
Em resumo, nestas eleições vou ajudar a chutar esta porta podre de forma macropolítica – Vou votar na Dilma.
Nota final - No post não consegui encaixar a ideia a seguir, assim coloquei-a como uma simples nota de rodapé: Na defesa democrática da liberdade uns exigem que o voto seja realmente um direito, ou seja, facultativo (aviso: sou totalmente a favor desta ideia) mas, que esta faculdade em uma sociedade desconectada da cidadania valida de vez a “democracia de minoria” isso é inquestionável.
360 graus
360 graus (7 de fevereiro 1978)


